NOSSAS INFLUÊNCIAS

Entendemos que o rigor teórico e a erudição são fundamentais, mas a capacidade de ir para o consultório, num processo histórico de constantes mudanças, requer uma plasticidade de olhar para as conjunturas que se apresentam. Portanto, a Psicanálise se transforma e, no caminho dessa transformação, somos herdeiros do próprio fundador da Psicanálise, assim como dos vários nomes que continuaram a prática psicanalítica. 

Sigmund Freud foi o grande criador da Psicanálise.
Médico neurologista austríaco de uma erudição ímpar, partiu da observação de pacientes diagnosticadas com histeria para criar um novo método de tratamento para os transtornos psíquicos: a cura pela fala. Sua teoria, inovadora e vanguardista, apesar de ter sido amplamente criticada nos meios científicos da época por apresentar suas bases na existência de uma sexualidade infantil e na clivagem do psiquismo humano (consciente, pré-consciente e inconsciente / id, ego e superego), é amplamente aceita e respeitada na atualidade. Para Freud, a origem dos transtornos psíquicos está no conflito entre desejo (pulsão) e realidade (censura), bem como nos mecanismos de defesa utilizados para lidar com esse conflito.


O método da Psicanálise consiste na investigação das causas inconscientes dos sintomas por meio da interpretação de sonhos e da escuta analítica da associação livre, com base na relação transferencial entre analisando e analista. Os constructos freudianos acerca da origem dos transtornos psíquicos, da constituição do aparelho psíquico humano e de seus mecanismos, da sexualidade infantil e da universalidade do Complexo de Édipo foram – e ainda são – revolucionários, pois possibilitaram não somente a criação de um novo método de tratamento, mas também uma nova forma de compreensão do ser humano e de sua inserção na cultura.

 

Donald Woods Winnicott (1896 – 1971) foi um pediatra e psicanalista inglês que, embasado pela teoria freudiana e influenciado pelas ideias de Melanie Klein e de autores do chamado Middle Group (Khan, Little, Balint, Fairbairn, Guntrip, entre outros) teceu grandes contribuições à Psicanálise. Sua teoria baseia-se no fato de que a psiquê é uma estrutura que vai se constituindo a partir da díade formada entre a tendência inata ao amadurecimento e a presença de um ambiente facilitador (representado, inicialmente, pela figura materna – a “mãe suficientemente boa”).

 
Para Winnicott, a psicopatia caracteriza-se como um transtorno em que uma falha ambiental inicial teve um importante papel. Sua teoria abarca temas como as relações objetais, os fenômenos transicionais, o brincar, a cultura, o self, a psicossomática, entre outros. Sua contribuição à Psicanálise foi de grande relevância, pois seus estudos sobre a etiologia das doenças psíquicas favoreceram a ampliação do alcance da clínica psicanalítica aos pacientes não neuróticos, bem como aos infantes pré-edípicos.
 

Melanie Klein (1888-1960) foi o principal expoente do pensamento da segunda geração psicanalítica mundial (ROUDINESCO; PLON, 1998). Ela transformou a doutrina freudiana clássica, criando uma nova técnica de tratamento, e ampliou o campo da psicanálise ao se debruçar sobre a análise de crianças e de pacientes psicóticos. Klein aprofundou-se no estudo da mente das crianças muito pequenas, conseguiu teorizar sobre suas fantasias, seus medos, suas angústias etc. e desenvolveu uma técnica de análise que viabilizou o acesso ao inconsciente da criança.


Klein diverge de Freud em relação à importância central que ele atribui à sexualidade, na medida em que ela coloca a agressividade inata como ponto central de sua teoria. Essa autora ampliou o conhecimento ao estudar esses sentimentos inatos, presentes nas relações do neonato com sua mãe, bem como ao aprofundar-se nos fenômenos psicóticos.


Algumas das principais contribuições da teorização kleiniana são os conceitos de phantasia inconsciente, o conceito de inveja e sua teoria das posições: a posição esquizo-paranóide e a posição depressiva. Segundo a teoria das posições, os sujeitos passam por períodos normais do desenvolvimento, tais como as fases do desenvolvimento psicossexual criadas por Freud. Mas, a teoria das posições difere da teoria do desenvolvimento sexual: por ser mais fluida, a posição depressiva nunca é totalmente alcançada, havendo avanços e retrocessos ao longo da vida de uma pessoa.  

 

Anna Freud (1895-1982) foi a sexta e última filha do casal Sigmund e Martha Freud, manteve-se sempre próxima do pai, foi sua fiel escudeira, não se afastando dele até o fim. Anna focou seu estudo, principalmente, no tratamento de crianças. Ao longo da vida, estabeleceu diversas clínicas e berçários para tratamento de crianças.


Na área da análise infantil, Anna Freud escreveu o livro "O tratamento psicanalítico de crianças", considerado sua obra principal.


Foi a primeira a dar ênfase ao ego na personalidade e seus mecanismos de defesa. No livro "O Ego e os mecanismos de defesa", ela descreve a variedade, a complexidade e a extensão dos mecanismos de defesa. Segundo Laplanche e Pontalis, ela foi a primeira a identificar o mecanismo de defesa “identificação com o agressor”. Foi reconhecida por sua preocupação com o manejo da relação entre a criança e seus pais e por sua preocupação ética com o papel do analista no tratamento de crianças. 

 

Jacques Lacan foi um psicanalista francês que começou, em 1932, um fundamental retorno à obra de Freud, conclamando seus alunos à leitura atenta de tal obra. Lacan considerava que os pós-freudianos estavam fugindo dos textos e das descobertas fundamentais de Freud.


Ele foi o responsável por restituir à Psicanálise uma intelectualidade que havia nos textos de Freud e que, à época, parecia esquecida, diante de certa limitação da Psicanálise a aspectos clínicos e médicos.

 

A releitura da obra de Freud em Lacan é bastante original e não se limita a reproduzir conceitos, inovando, também, em aspectos clínicos. Com a elaboração do conceito de estádio do espelho, situa o Eu (Ego) como uma instância de desconhecimento e de ilusão, corroborando a ideia de Freud segundo a qual “o Ego não é senhor em sua própria casa”.


Lacan revolucionou a Psicanálise nos cinquenta anos em que a estudou e a praticou. Estabeleceu como “registros essenciais da realidade humana o Real, o Simbólico e o Imaginário”. Desenvolveu, ainda, os conceitos de tempo lógico, de foraclusão, do Nome do Pai e a teoria do “Inconsciente estruturado como uma linguagem”.


Lacan afirmou que a Psicanálise não é um conjunto de procedimentos, mas uma ética, uma reflexão sobre os fundamentos de nossa ação. A Psicanálise é uma ética trágica. No Seminário 7, indaga Lacan: “agiste em conformidade com teu desejo?”. Em Lacan, a clínica é “indissociável de uma crítica do poder e da reflexão ética”.


Lacan exige estudo e pesquisa: estudo da linguística, do estruturalismo, do pós-estruturalismo, do surrealismo, da filosofia e da língua chinesa etc. Não é um pensador de compreensão fácil. Mas, como diz o estudioso Christian Ingo Lenz Dunker, é desafiador estudar Lacan “porque seu estilo é improvável, inimitável e provocativo”. 

 

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