A capacidade de estar só: lidando com a solidão em tempos de distanciamento social


Eis que o mundo foi pra casa. Por decreto, por escolha, por medo, por precaução. Eis que o mundo foi pra dentro. De seus lares, suas famílias, seus afetos, seus sintomas, sua solidão. Ah, a solidão...muitos são os que estão experienciando esse sentir nos últimos tempos. Cada um com seu pesar, cada um com seu prazer.

Winnicott foi um autor da psicanálise que explorou esse tema no contexto do amadurecimento individual: a capacidade de estar só é uma conquista altamente sofisticada, que possibilita ao indivíduo apreciar o “estar só”, mesmo na presença de alguém. Para o autor, essa capacidade se desenvolve nas primeiras experiências do bebê com sua mãe, no momento em que o bebê conquista a capacidade de sentir sua mãe presente ao seu lado, mesmo na ausência da pessoa física dela. Uma espécie de solidão sem falta, de solidão sustentada pela presença introjetada do outro significativo.


Até pouco tempo atrás tínhamos a possibilidade de fugir dessa experiência de “estar só” lançando-nos ao movimento frenético de “estar com”: com barulhos, com compromissos, com colegas de trabalho, com companheiros de balada, com amigos de confidências, enfim, sempre convivendo com uma hiper estimulação que nos impedia de relaxar e de nos recolhermos em nós mesmos. Éramos invadidos por presenças físicas a todo tempo. Tudo isso sustentado por um pacto social que vê a vida hiper produtiva com bons olhos (afinal, aos olhos defendidos da sociedade, o indivíduo isolado, introspectivo, é que não tem boa saúde psíquica).


Os tempos de distanciamento social nos trouxeram outra realidade: o recolhimento foi inevitável e é necessário. E como estamos lidando com isso? Como pode ser, oras: cada um de acordo com a sua história psíquica. Há os que sintam a solidão como uma ameaça disruptiva para o eu e há os que sintam a solidão como possibilidade integrativa de seus aspectos psíquicos.


E você, como está lidando com esse aspecto do distanciamento social? Consegue apreciar o mundo de possibilidades internas que se abre com o “estar só”? Sente-se essencialmente acompanhado pelas presenças afetivas que introjetou ao longo da vida? Ou está relutando contra o vácuo da solidão, burlando o distanciamento social ou vivendo em um quadro de intenso sofrimento que não pode mais encontrar alívio nos comportamentos de massa? Ótimo momento para refletirmos sobre nossa capacidade de estarmos sós.

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