A bissexualidade na origem da homofobia


Freud considera que, como seres pulsionais, todos nós somos originalmente bissexuais; ou seja, a pulsão tem originalmente dois caminhos possíveis para a satisfação: o caminho ativo (fálico, masculino) e o caminho passivo (castrado, feminino) em todos nós, invariavelmente.


Para nos identificarmos com a heterossexualidade, fazemos um pacto psíquico de que realizaremos somente nossos desejos por parceiros amorosos do sexo oposto, mas claro que isso não faz com que nossos desejos homossexuais desapareçam no espaço! Pois é... o fato é que eles continuam existindo, quer queiramos, quer não. E mais: quando não nos apropriamos deles devido a, por exemplo, uma incompatibilidade entre essa aceitação e o código moral a que estamos submetidos, nosso aparelho psíquico trata logo de recalcá-los, ou seja, tirá-los da nossa vista e guardá-los na caixa-preta do nosso inconsciente.


Engana-se que pensa que, com o recalque, o conflito está solucionado. 


Nossos desejos pulsam... e ficam buscando um meio para encontrar a satisfação. Enquanto nossos desejos investem esforços em tentativas de escoamento, de realização, nosso ego faz uma força de contra investimento para mantê-los ali, ocultos em nosso inconsciente. Enquanto essas forças estão equilibradas, ou enquanto há vitória da energia de contra investimento, o conteúdo de origem homossexual se mantém inconsciente (mesmo que isso nos custe um gasto energético grande e alguns sintomas).


Tudo corre “bem”, até que um estímulo externo ameace nossa força de contra investimento. Que estímulo pode ser esse? Nos depararmos, por exemplo, com um casal homossexual trocando carícias. Ah, isso evoca nossos desejos homossexuais, convida-os para o escoamento, qual vulcão que entra em erupção após um longo período de adormecimento. Para evitarmos o conflito psíquico gerado pela tensão entre nossas pulsões que buscam satisfação e o código moral vigente, precisamos reforçar nossa energia de contra investimento: sentimos raiva, ódio, asco, julgamos, condenamos, agredimos.


Ah, quão mais gentil e menos violento seria o mundo se todos tivéssemos uma estruturação psíquica fortalecida o suficiente para aceitarmos que os desejos homossexuais existem, são uma condição humana e não são ameaçadores em sua essência. Quão mais tolerantes com as diversas expressões da sexualidade humana seríamos se nós autorizássemos a entrar em contato com os nossos desejos tais como eles são, não necessariamente satisfazendo-os na realidade compartilhada, mas podendo, através da escolha consciente, dar vazão a eles na fantasia ou na sublimação, por exemplo, sem que precisássemos atacar no outro o que não aceitamos em nós mesmos.

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